As sete ela passou pelo portão e foi direto para o seu quarto, fechou a porta, deitou no chão do jeito que estava, não quis ao menos se trocar.
Dormiu.
Acordou cambaleando, pelas tantas já eram quase nove. Foi ao banheiro, tirou a roupa grudada de suor da caminhada, do dia cansativo, do sol do meio dia e relaxou seu corpo no chuveiro quente... morno... esfriando.
Chorou, cantou, mal disse...
Chorou.
Voltou pro seu quarto e vestiu-se. calcinha e uma blusa de pijama.
Deitou e tentou tirar da cabeça as histórias e sensações que lhe atormentavam. Tentou esquecer de tudo aquilo que seu 'in'consiente teimava em guardar. Tentou, sem êxito, livrar-se de tudo aquilo que estava a sua volta, grudado em sua pele, escorrendo pelos seus olhos, contaminando tudo o que mais existe.
Deitada.
Cansada.
Com os olhos vermelhos.
Já não consegue uma posição.
As horas passam e o despertador vai tocar, ela sabe que vai e que já é muito tarde.
Vira, mexe...
Silêncio!
Pingos!
Na madrugada ela sai pelo portão.
Está frio e abafado ao mesmo tempo, mas nada mais importa, pois ela já não está mais ali.
Pela chuva, com os braços abertos vai se livrando de tudo.
A água passeia pelo seu corpo fazendo com que sua agonia e desespero escorra com ela até seus pés e vá se misturando à enxurrada que desce pelo chão imundo. Imundo como tudo aquilo qe estava grudado em sua pele, esculpido em sua mente, esvaindo em seu suor... Em suas lágrimas.
Corre!
Confusa e sem direção, mas como o alívio da fuga. Uma sensação de êxtase toma conta de sua mente.
Como se pudesse voar, mesmo com os pés no chão.
Gritar, estando no mais profundo silêncio.
Um poder inexplicável sobre si mesma.
Poder... Só poder. Ela parece não perceber os riscos daquela avenida.
De repente uma luz, um barulho e a realidade volta! a luz se apaga!
Escuridão...
São seis horas.
Enfim o despertador.
As oito ela sai pelo portão!
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