Hoje me peguei pensando nas chances que disperdicei não aceitando atalhos. E me senti mal duas vezes.
Perdi a fé que daqui 10 anos vou ter mais do que tenho agora, que no momento tá no negativo... E que burrada ter colocado um filho no mundo se não foi pra melhorar. Olhar pro Antônio esses dias tem sido massacrante. Pois não acredito, hoje, merecer essa alegria que ele emana.
Na porta dos 40 não vejo mais muita oportunidade pra mim e hoje só consigo enxergar o que fiz de errado colocando até o que eu achava certo (e ainda acho) nessa balança.
Neguei umas 4 "oportunidades únicas" que não sei emocionalmente, mas financeiramente me deixariam melhor. E quanto se chega ao ponto de achar que fazer o errado era o certo para seguir em frente e ter sucesso é que o mundo desaba te nivelando ao nada.
Hoje, 08 de Junho de 2020, sinto com pezar que pensar no coletivo, na ética, no justo destrói qualquer chance de ser melhor, só mostra o quão despreparada estou para viver.
O quanto vale a pena continuar batendo em uma madeira sem prego????
Do fundo do meu eu todinho: como eu esperei esse 10 de Maio.
Mas esperar muito nem sempre é bom. Expectativa é o ópio da saúde mental.
Aguardava muito aquela primeira festa da escola, com crianças chorando, outras dançando, outras paradas olhando as pessoas com curiosidade e receber aquele cartão com uma flor de papel feita com a mãozinha de tinta escrito "Você é a melhor mãe do mundo." E mesmo sabendo que Antônio não entenderia bulhufas do que estaria se passando eu ia guardar esse pedacinho de papel até meu último dia por aqui, por que é isso que mães fazem. E lembram, eu sou a Vovó Geller.
Seria meu primeiro presente de dia das mães.
Depois, no domingo, iríamos almoçar com minha mãe e enfim fechar o dia com um café da tarde na casa da minha avó com as crianças correndo pelo quintal, gritando, brigando, se amando, chorando e gargalhando quase que tudo ao mesmo tempo.
Não deu.
Não tive minha primeira festinha besta de escola, nem cartão pra pendurar na geladeira e o domingo se resumiu a uma entrega quase que a distância de uma cesta de chocolates para minha mãe, um almoço simples e rápido em casa mesmo, uma chamada de vídeo com minha avó e um prato de brigadeiro.
Mas eu ganhei da Lívia uma flor roubada de um vasinho.
No decorrer desses anos me casei com o cara do texto aí abaixo, perdi, ganhei, briguei, emagreci, engordei e virei mãe. Voltei a perder ganhar, brigar, emagrecer e engordar.
E chegamos a 2020 com um ar de renovação e vitória que foi engolido, massacrado, arrastado e devastado por um tatu.
Vivemos um isolamento social onde muitas coisas estão acontecendo mesmo sem nada poder acontecer.
Hoje eu respiro o dia todo tentando manter a sanidade. Controlando a crise de Pânico, que como aquele diabinho dos desenhos infantis, está sentada no meu ombro dizendo: abre o portão, sai correndo, vai ... DESMORONA que eu vou te jogar lá de novo.
E é escrevendo que eu sempre consegui lidar com minha depressão, postando ou não os textos, é isso que me alivia, que me liberta, que me faz pesar minha fraqueza que é bem maior que minha força, porém tá enjaulada por que eu quero assim.
Boa noite.
Sejam bem vindos.
De pouco a pouco vou colocar os anos dia, reviver meus sentimentos e colocá-los aqui de forma aleatória.
Quando você descobre que será tia (mais uma vez) você fica numa euforia que não tem explicação. É uma vida que vem pra somar. Até o momento éramos pais e irmãos, mas não sei o porque, quando os pais se tornam avós e os irmãos pais e tios parece que nasce realmente uma nova família, se fecha um ciclo.
Alegria sem limite.
Mas hoje eu me toquei de uma coisa. Seria Tia a distância.
Aquela que perde algumas coisas. As mais simples, porém quase sempre as mais importantes.
Não diminui o sentimento de alegria. Mas atrapalha, mesmo que pouco, o sentimento de felicidade plena. Ficou confuso, ?!
Uma vez, nesse mesmo blog escrevi sobre as primeiras vezes que perdemos dias.
O primeiro dia das mães, dos pais e outras datas que você perde não se recuperam. Não dá pra deixar na nuvem pra ver depois.
A saída é fazer com que esses dias sejam normais. O que te ajuda muito, pois você transfere a importância de um dia comercial para um dia qualquer. Para o dia que você possa estar junto com essas pessoas.
Foi pensando assim que tornei essas datas estritamente comerciais. Ilusão. Grande ilusão... Mais adiante tem os aniversários, nascimentos, formaturas, noivados... Você SEMPRE vai ter a chance de perder pela primeira vez uma data importante.
Porque?!
Talvez por escolha sua. Mesmo você tentando acreditar que não é uma escolha plenamente sua. Mesmo que ela realmente não seja. Não importa.
Pode ser uma conspiração?!
Pode.
Pode ser uma desculpa?!
Olha, quase nunca, mas pode.
Pode ser que estava escrito?!
Opa. Acreditando tudo é possível.
Mas como diria Chico Buarque:
"Consta nos astros, nos signos, nos búzios. Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás. Serás o meu amor, serás a minha paz"
E é isso que quero que o pequeno Pedro, quem ainda não conheço o rostinho, saiba desde sempre. Longe ou perto, todos os dias: "Serás o meu amor, serás a minha paz!".
.::. Ao pé do ouvido - Chico Buarque - .::.
"Se calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Estar a ponto de completar 33 anos e perceber que ainda está dando os primeiros passos é desesperador. Pra todo canto que eu olho as pessoas estão a milhões de passos na minha frente e eu fico me perguntando onde foi que eu fiz a curva errada. E falo dos bem mais novos que eu, pois os da minha idade já nem sinto o cheiro deles de tão adiante que estão. Desempregada, fingindo acreditar em sonhos e até mesmo em mim, com um sorriso na cara que eu deveria ter vergonha de manter. É... um belo começo de ano. Quando você se vê numa idade em que todos já realizaram pelo menos o básico e você sequer saiu do lugar fica o pensamento: pra que?! Vou contar a vocês que a vontade de desistir está muito grande, não sei nem como to conseguindo seguir em frente. Hoje, minha vida pessoal/amorosa está estável, gostosa. Não tenho o que reclamar, muito pelo contrário, acho que é a ÚNICA coisa que tenho realmente a agradecer, mas até quando vou conseguir que uma coisa não interfira na outra é um segredo. Todos sabem, tenho um gênio do cão e que piora a cada segundo, por que não tenho paciência pra deixar que ele piore a cada dia. To perdida, enrolada, confusa! E qualquer coisinha pra mim hoje é motivo de fim de mundo. Choro, perco o ar, tenho enjoo, dor de cabeça, ataca até a sinusite! Nervos a flor da pele é conversa pra boi dormir... Os meus já se tornaram a pele! Expostos! Poise. Feliz 2014.
A exatamente a um ano, mais ou menos nesse mesmo horário, lá pelas 23h e pouquinho quase 00h do dia 04/07/2012 milagrosamente - graças ao toque especial de pessoas que muito nos querem bem - nos encontramos.
E aquele beijo à soleira da porta de um banheiro de um bar tosco e sem coxinhas suficiente para uma mesa de amigos mudou a nossa vida (pelo menos a minha, garanto que sim).
E tudo ficou melhor.
Uma simples tarde sentados no sofá assintindo TLC e tomando coca-cola é um programa tão completo que me parece até que é você quem faz a diferença.
Obrigada por me fazer rir toda vez que te lembro de fechar a porta do guarda roupas quando a deixo aberta. Pela garrafa d'água que vai buscar mesmo depois de ter deitado - mesmo que esteja frio - Pela caminhada na Avenida Paulista calados um ao lado do outro. Pelas massagens nos pés, no ego, na alma, na vida! E por ter me dado metade de uma fatia de bacon frito!
Obrigada pelos "boa sorte", "te admiro", "tenho orgulho", "mas, Gabriela!!!!"... Pelo eu te amo!
Obrigada pelos bons dias, por todas as tardes e por cada boa noite.
Te amo!
"O primeiro ano do resto das nossas vidas, até que sua paciência acabe e tente nos separar, Amém!"
Essa noite sonhei com minha Madrinha Cida, que já deixou
esse mundinho aqui no qual a gente briga para sobreviver.
No sonho, enquanto a Tia Luri coloria as unhas
dos meus pés – Essa parte é meio estranha, pois ela não disse uma palavra, apenas ficou
ali como se estivesse pintando um quadro de Monet – minha
madrinha acariciava minhas mãos e conversava comigo.
Quase em um monólogo, me
disse sobre as escolhas da vida, das mudanças que passamos e me pediu para que eu cuidasse de mim em
primeiro lugar, em todos os aspectos, pois as coisas sempre acontecem, muitas
vezes sem explicações. E enquanto conversávamosquando não estava acariciando minhas mãos segurava uma delas
e com a outra mão acariciava meus cabelos.
Seu toque acordou comigo como se ela tivesse acabado de sair
do meu lado. Mas o que me intrigou muito foi o seu olhar. Ele até agora esta aqui, olhando
pra mim... Fixos, firmes... Aqueles olhos azuis infinitos.
O olhar mais carinhoso
do universo, daqueles que você sente o amor de longe.
E fiquei aqui, a tarde toda lembrando dela e da última vez que eu a vi.
Mesmo já com a doença avançada, ela ainda olhava pra todos dessa forma. Na ocasião, sentadas na sala, conversamos muito, rimos e ela estava feliz. Sim, ela estava feliz! Quando me levantei pra ir embora
deixei todos a cumprimentarem e fui me despedir por último. Nessa hora ela
me olhou com o mesmo olhar, virou pra mim e disse: “Eu te amo muito,
você foi um dos maiores presentes que eu podia ter ganhado. Seu Tio se foi e me deixou você de presente.” E pegando firme com as duas mãos no meu rosto terminou: Nunca se esqueça disso!"
Retribui o carinho dizendo pra ela tudo o que eu sentia. Deixando claro que se ali havia alguém de sorte, era eu. Sai. Entrei no carro e desabei em lágrimas... Pareceu minha despedida. E realmente foi, ali, feliz, contente, foi a última vez que a vi e agradeço eternamente por ter tido esse chance de falar pra que ela sempre foi importante.
Meu erro, talvez, é nunca ter dito isso todos os dias. Mas eu tenho a certeza de que ela sabia.
Partiu e deixou muita
gente com saudades, porém pessoas de muita sorte por ter o privilégio
de ter vivido sob esse olhar.